ImageShackSeria cômico se não fosse trágico: porque as pessoas que moram em São Paulo só podem desfrutar de um passeio no centro histórico apenas em UMA DATA específica, e não todos os dias? Analise comigo essa questão por uns instantes e vamos perceber que, de repente, não seja problema de falta de segurança. Na verdade, eu nem gostaria de fazer um post pseudo-revoltado com o mundo moderno, mas as vezes eu fico pensando algumas coisas e pouquíssimas vezes eu preciso de uma forma de botar isso pra fora. Sério, me incomoda o fato de morarmos em uma cidade (ou país?) e sermos obrigados a viver como reféns. Não existe algo realmente errado aqui? Pense nisso por um instante e em breve retomaremos daqui.

Os números dessa virada cultural impressionam. Cerca de 4 milhões de pessoas curtiram durante as 24hs de evento, com um total de 800 atrações e pouco mais de 5 mil pessoas envolvidas. Números expressivos né? Eu acompanhei apenas via TV e Internet (em breve explico porque) e concordo que em boa parte dos palcos artistas de peso deram sua contribuição para o maior evento cultural de São Paulo, atualmente. Poder ver Os mutantes, Jorge Ben Jor, um DJ Holandes que fez a multidão se balançar usando apenas fones de ouvido, devido ao palco dele estar próximo da Catedral de São Bento, foram diversos shows que podem ser destacados. A organização não registrou grandes incidentes e, tirando algumas excessões, parece que tudo foi seguro e organizado.

Ok, esse último parágrafo me leva a refletir: se é possível organizar um mega-evento como esse, em pleno centro de São Paulo, e as pessoas podem circular seguras por ruas que muitos sequer conheciam por não ter oportunidades antes, porque nos outros 364 dias do ano precisamos andar com seguranças armados e/ou policiamento ostensivo se quisermos mesmo passear nas ruas da cidade? O que motiva a cidade a se preocupar com esses quesitos apenas em eventos que favorecem a cidade uma vez, sendo que poderiamos ter isso diariamente e, por consequência, um retorno muito maior e efetivo em termos de visitação, participação popular e afins?

Como evento, é impossível pensar em outro termo a não ser sucesso total. Como prova de que é possível policiar o centro a fim de permitir às pessoas circularem com segurança, também acredito que tenha mostrado o sucesso. Agora, será que o pessoal que administra as coisas não poderia fazer um pouco mais? O Sr. Kassab não poderia aparecer todos os finais de semana na TV mostrando como a sua organização e seu plano de contenção e segurança efetivamente funciona e, ao menos no centro, as pessoas podem passear tranquilas? Será que não tem mais jeito e o futuro da nação será dividido entre reféns/criminosos/observadores?

Sei lá, conformismo nunca foi meu forte. Quando vejo isso nos administradores E TAMBÉM na população, sinto que de repente aqui não seja mesmo mais o meu lugar. Acredite, existem lugares diferentes que as pessoas têm essas preocupações. Talvez migrar seja o caminho para pessoas que pensam da mesma forma que eu. Talvez.

Related Posts with Thumbnails
Se gostou compartilhe!

Postagem feita no dia 29 de abril de 2008 às 5:17 e arquivada na(s) categoria(s) Divagação, Hypes, Polêmica. Você pode acompanhar os comentários usando RSS 2.0 .
Você pode deixar um comentário ou um trackback do seu site/blog.



4 Comentários ;) para “Virada Cultural | Impressões de um paulistano inconformado!”

  1. leonardo on abril 29th, 2008 at 10:27

    finalmene tema novo einh rafa.
    ficou da hr a parada lá!
    to rindo aqui aheuaeh

  2. linny on abril 29th, 2008 at 13:05

    parabens pelo post, show de bola!!!

    obg pela visita no blog

    beijosss

  3. Niquinha on abril 29th, 2008 at 15:56

    Eu fui tentar passear no centro, legal a sensação de poder andar pela Republica, 24 de maio, São João sem ter medo de ser morta. Seria bacana poder ter essa segurança todos os dias e noites.
    E não vi o cão da dona Florinda hj hehe fiquei lendo até as 7 da manhã e viva a insonia que me consome

  4. Olé on maio 14th, 2008 at 16:53

    Então, quanto a andar no centro tranqüilamente, é possível durante o dia, no claro. Muitos roteiros turísticos são operados no centro, por exemplo. O grande problema é que ele virou um não-lugar. Apesar de muita gente morar lá, existem muitos escritórios, repartições públicas e lojas que só abrem durante o horário comercial, mesmo horário que é seguro andar por lá. Por isso que quando existiram milhares de coisas para se fazer no centro, com milhares de pessoas (esses cálculos são feitos usando apenas os olhos dos policiais, por isso muito discutíveis) o centro ficou seguro. É importante entender que esse seguro não é a mesma coisa que um cidadão na Noruega entenderia porque, como bem sabemos, temos inúmeros problemas sociais que geram toda essa insegurança para os que têm um pouco mais.
    Espero não ter me alongado muito! hehehehe Dou risada pq geralmente meus posts são enormes!
    Abraços,

Algo a dizer?

1. Diga o que quiser, você é totalmente responsável pelos seus comentários;
2. Não ofenda as pessoas, não use palavras de baixo calão;
3. Não seja desagradável;
4. Tenha em mente que o conteúdo desse blog é humorístico e/ou irreal;
5. Assim que sair, dê um sorriso;