Não é incomum eu ir para São Paulo curtir o dia. No último domingo não foi diferente, já que estava calor e o Corinthians ia jogar. Como de costume, durante todo o percurso para Sampa eu vi diversas motos de alta cilindrada acelerando fortemente em direção contrária a minha. A turma das motos gosta de ir até Serra Negra no final de semana.

Enfim, o caminho que costumo fazer atravessa a periferia da zona norte de São Paulo, mais especificamente o bairro do Jardim Brasil, na Zona Norte. Por ser um bairro pobre, o contraste acaba sempre chamando a atenção e não tem 1 dia sequer que eu não veja algo desse tipo. Portanto, não chega a ser incomum ver carros e motos se destacando entre as casas de reboco e sem muito acabamento. E no domingo de sol é quando isso fica ainda mais evidente.

A primeira coisa que me chamou a atenção foi um Camaro, que não era amarelo. Era preto, tinha rodas muito grandes – aro ’20 possivelmente – e estava parado num pequeno bar, onde um gol ‘quadradinho’ com o porta-malas aberto fazia barulho através das inúmeras cornetas e subwoofers instalados naquela parte do carro. O funk rasgava a rua em alto e bom som, enquanto meia duzia de amigos tomava uma cerveja e conversavam tranquilamente. Foi nesse momento que 3 garotas passaram por ali, todas com algo em comum: Usavam mini-shorts jeans, mesmo que duas delas estivessem um pouco acima do peso. Na periferia as pessoas não escondem nada.

Passei batido e acabei parando num farol um pouco mais adiante. Naquele momento, um desses carros que prestam serviços para operadoras de TV a cabo encostou no meu e eu ouvi um funk tímido saindo dele, em baixo volume mesmo. O motorista levava consigo uma ‘novinha’ e as expressões de ambos eram de calma. Acabei mudando de estação e achei a fonte daquela música, uma das rádios populares de Sampa. Aproveitei a vibe e fiquei ali ouvindo para constatar o maior contraste da tarde.

Gostosa jamaica
Em breve, isso se tornaria real… mas de uma forma menos explícita!

Cerca de 4 ruas depois e já quase deixando o bairro rumo a Santana eu vi umas 4 motos vindo em direção contrária, sentido bairro. Nelas estavam 4 motoristas com seus capacetes e 4 ‘novinhas’ sem capacete, com calças justas e aproveitando bastante aquele passeio. Ao mesmo tempo, o funk falava sobre como era “bom poder dar um rolê forgando em cima da 600 cilindradas e de como a novinha gostava de usar roupa curta para mostrar a marca”. Ainda segundo a música, “ser chamada de gostosa para ela é normal”. Acho que eu nunca tinha visto uma música mostrar a realidade, mesmo que na maior das coincidências, durante o tempo em que ela passava na rádio. Foi quase chocante ver aquela cena.

Durante toda a passagem pelo bairro eu ouvi diferentes funks vindos de diferentes lugares. Seja no carro ou em casa, as pessoas realmente ouvem muito isso durante seus dias. As letras, que para muitos de vocês podem ser fruto da imaginação dos caras, acabou se mostrando real e honesta com seus detalhes. Não tem mais bobo na periferia, como diria um grande cronista esportivo.

E eu, meio sem entender porque, resolvi que deveria compartilhar isso com vocês hoje.

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Postagem feita no dia 5 de março de 2013 às 14:44 e arquivada na(s) categoria(s) Cenas Urbanas. Você pode acompanhar os comentários usando RSS 2.0 .
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