Para ler ouvindo: Trentemoller -Tide

Hoje fiz a primeira piada envolvendo a morte do meu pai, acho que eu to finalmente me acostumando com essa ideia. De qualquer forma, fazem alguns meses que tenho pensado em tudo o que eu aprendi com ele já. E se essa série de posts for pra frente, vou tentar dividir algumas delas com vocês.

Por alguns anos, fui “sócio” do meu pai numa empresa. E trabalhamos juntos em 3 oportunidades distintas. Infelizmente a última delas não teve um complemento mas ao menos conseguimos deixar tudo mais ou menos em ordem para a hora que ele falou. Sei que nessas oportunidades aprendi muitas coisas e creio que a mais importante delas tenha sido como liderar pessoas. Explicarei a seguir.

Na primeira oportunidade que trabalhamos juntos eramos ele, eu, uma mesa de escritório e um fax, dentro de um galpão pequeno perto da minha casa. Eu ainda não sabia como, mas já tinha certeza que aquilo seria passageiro e em breve estaríamos num lugar mais confortável e com mais recursos, o que de fato aconteceu. Em menos de 6 meses mudamos para um galpão 10 vezes maior e já precisávamos de funcionários esporádicos para nos ajudar nas diversas tarefas que surgiam.

Curioso foi a forma como meu pai contratou o ajudante geral. Certa vez, estava com ele na porta do galpão e passou um desses sujeitos que vivem na rua em busca de oportunidades. Eu não teria pensado duas vezes em ignorar completamente a situação do rapaz, mas meu pai parou pra bater um papo com ele. Vida sofrida, problemas de saúde e um possível vício em álcool e eu já tinha como certo que o cara deveria ir embora. Meu pai, com toda sua sapiência, perguntou que tipo de trabalhos ele sabia fazer. Com toda a simplicidade de alguém que precisa muito de qualquer trabalho para viver, ele respondeu prontamente um “Dotô, eu fasso o que o senhô precisá!” (<~ Ai Just, que desnecessário! kkkk). Enfim, no dia seguinte estava lá nosso ajudante geral, pronto pra ajudar no que precisássemos. Eu ainda não tinha entendido a contratação, mas não questionei nada e ele limpou o galpão, ajeitou as peças de uma máquina, perguntou tudo o que poderia sobre o funcionamento delas pro meu pai e foi pra casa no final da tarde. No dia seguinte, mais perguntas e mais esforço. Eu já estava convencido de que meu pré-julgamento tinha sido babaca e que ele merecia mesmo essa chance. E foi então, meus amigos, que eu ouvi o que eu precisava ouvir. Meu pai sempre foi aquele cara que senta com você, começa a falar e você saia como se tivesse ido a uma palestra. Sempre tinha algo foda para guardar quando a gente sentava pra uma dessas. E então ele começou a falar sobre como identificar os pontos de seus funcionários para ter certeza de como exatamente cada um deles poderia te ajudar. Pra mim era um cara com roupas meio sujas perambulando pelas ruas da firma e pra ele era alguém que conseguiria se esforçar caso fosse preciso. Nesse ponto o feeling dele era fantástico. Aprendi com ele que não importa como as pessoas chegam na sua empresa, importa o que elas farão por você. Aprendi que não importa a falta de conhecimento prévio para a realização de algumas tarefas, pois algumas pessoas aprenderão rápido com tudo o que você disser e irão atrás de aprender tudo o que for importante para poder te ajudar de forma melhor. Aprendi que se o seu funcionário está infeliz ou não está rendendo o esperado a culpa provavelmente é sua, que não está orientando e dando a atenção necessária para aquela pessoa - ou, talvez, alguém que esteja responsável pela estada dela. Aprendi que a felicidade do seu funcionário é o mais importante para que a sua empresa seja lucrativa. E aprendi que não adianta julgar as pessoas, elas estarão por aí te surpreendendo, mais cedo ou mais tarde. Hoje eu sei que se alguém está com dificuldade na realização de alguma tarefa é porque talvez não seja a pessoa certa para fazê-lo. Hoje eu consigo identificar quem é capaz de fazer alguma tarefa específica, quando preciso escolher alguém pra isso. E mais importante, hoje eu sei que o chefe é aquele que precisa necessariamente dar o exemplo, sendo o primeiro a chegar e o último a sair. Uma empresa só dará certo se as pessoas estiverem em suas posições, principalmente o chefe. Obrigado, pai. Sei que isso vai me ajudar por muito tempo ainda e sem você eu não descobriria de uma forma tão emblemática quanto essa.

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Postagem feita no dia 6 de junho de 2012 às 21:35 e arquivada na(s) categoria(s) Divagação. Você pode acompanhar os comentários usando RSS 2.0 .
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