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É preciso assumir as coisas, certas vezes. E eu, como blogueiro “novato” na classe, estou devendo um segredo. Então, pra começar, posso contar algo constrangedor, fenomenal, incrível ou então como eu ganho dinheiro escrevendo cartas de amor.

Nota: Informações reais, porém haverá uma pequena omissão em relação a nomes e locais.

Tudo começou quando um amigo meu, dono de um estúdio de diagramação, me fez o convite. Eu tava desempregado e tinha noções boas de design, porém nunca havia feito um trabalho impresso. A idéia era boa e eu topei.
Me considero um auto-didata no design. Desde que entrei na internet pela primeira vez tive a curiosidade natural para muitos fuçadores: Como as páginas na internet são feitas? Qual a tecnologia que permite que o meu browser interprete um apunhado de códigos pouco claros? Porque o fundo da página A é preto com letras laranjas e da página B é azul com letras rosa-choque? Fiz o lógico, para pessoas parecidas comigo: Comecei a fuçar os códigos. Enfim, a história é longa e se desenrola com os meus primeiros erros e acertos na web. E acaba no dia que entrei pela porta do estúdio pela primeira vez.

O desafio de fazer algo que eu até então nunca tinha feito me encheu de esperanças, eu não gosto de rotinas e coisas iguais. E além do mais, o principal eu tinha, que era o desejo de mudar o mundo, que naquela altura resumia-se a um punhado de revistas diagramadas pelo estúdio.

Em 2 dias, o Indesign já não era mais segredo para mim. Eu já conseguia posicionar imagens, textos e afins e em mais 1 dia eu já aprendi aqueles macetes que os entendidos usam e abusam o tempo todo, seja para poupar tempo, seja para ter um efeito mais clean e bacana, seja para fazer efetivamente o trabalho. Então veio o primeiro projeto, que eu deveria fazer em no máximo 6 dias: uma revista de cartas de amor.

Veja bem, eu consigo encarar um projeto de frente sem temores, o desafio me motiva e eu nunca costumo fugir de meus oponentes. Mas como eu faria uma revista de CARTAS de amor? Novamente, fiz o que qualquer um na minha situação faria. Fui ao chefe e questionei o porque do projeto, e onde eu conseguiria material para o recheio. O que um chefe faria, naquela situação? Eu, se fosse ele, faria exatamente o que ele fez, provavelmente. A resposta merece até um parágrafo único para ela:

– Olha, Rafael, se fosse para eu me preocupar com a forma que você vai fazer, eu mesmo faria. O projeto está ai, se quiser fazer, use a criatividade e boa sorte!

Ok, estava sozinho e precisava correr atrás. Em teoria, em termos de design, eu tinha em mente mais ou menos como deveria ser uma revista de cartas de amor. Na prática, eu não imaginava o buraco que eu estava entrando. Até porque design é aquilo que enfeita, aquilo que ajeita, e de certa forma isso para mim era fácil. Mas como criar cartas de amor, sendo mais de 20 por edição, para preencher o conteúdo?

Nota: Eu nunca fui um cara totalmente romântico, sempre achei que flores resolviam os problemas de declaração de amor. Cartas nunca foram meu ideal de conquista.

Em meio a 2 dias de nenhuma criação, eu fui atrás do Papai para saber como se redigia uma carta de amor. Quais itens deveriam ser abordados, quais esquemas poderiam ludibriar as pessoas que compravam tais revistas, que tipos de sentimentos explorar. E pra quem achava que seria mais alguns trabalhos de design, eu estava tendo uma amarga romântica lição. Sem saber como, eu comecei a escrever as cartas de amor mais românticas (para o meu ponto de vista, que fique claro!) já escritas. E sem saber como, fui indo bem na coisa. Depois da segunda edição que fiz, o ato de escrever as tais cartas de amor já não eram mais bichos de sete cabeças, foi ficando natural. A aptidão por escrever histórias fantasiosas sempre foi algo que eu tive, eu sempre gostei de criar personagens e envolvê-los em dramas. Mas de certo, em momento algum da minha vida até então, eu achei que conseguiria ganhar dinheiro limpo dessa forma.

Nota: O blog veio ao mesmo tempo, praticamente. O que sugere que o investimento que fiz nele veio diretamente da produção das cartas de amor.

Hoje, terminei mais uma edição da revista. Fica um print screen dela aqui, para efeitos de demonstração do meu potencial romântico, e obviamente, espero um feedback. Você ficaria contente se, ao comprar a tal revista, observasse esse conteúdo nela? Você sabia que existia uma revista de Cartas de Amor? E para que saibam, é uma revista de tamanho pequeno, com tiragem baixa, vendida em diversas cidades. Não chega a ser um grande sucesso de público, mas tem pagado as contas satisfatoriamente.

E foi assim que algumas cartas de amor começaram a financiar um blog, que ainda não consegue andar com as próprias pernas. Mas como o ideal agora não é exatamente esse, tenho ficado contente com ele. Talvez um dia, em breve, eu mude de idéia. Mas até o presente, as cartas pagando as contas está de bom tamanho pra mim. :)

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Postagem feita no dia 17 de março de 2008 às 20:26 e arquivada na(s) categoria(s) Blogsfera. Você pode acompanhar os comentários usando RSS 2.0 .
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Opa, ja temos 1 para “Confissão: como cartas de amor financiam um blog!”

  1. japublicidade.com on março 18th, 2008 at 22:11

    Amigao ficou 10 o seu post parabens!
    Estamos nessa tambem aquele abraco!

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