Tudo começou as 16hs do sábado.

Fazia calor, faltava cigarro. Uma saída para a rua resolveria um, talvez dois problemas. Como a preguiça era gigante, o carro saiu da garagem para ajudar a cumprir a missão. No caminho, uma passada rápida na rua de baixo para ver quem já estava marcando plantão com a cia de alguma cerveja estupidamente gelada. E foi lá exatamente que recebi o convite – “Bora pra festa hoje, vai ser coisa boa!” – aceito de imediato. Não sem antes um cochilo, já que a maratona seria exaustiva. Um retorno pra casa e cama.

Já na rua novamente, todos se posicionam em seus lugares no carro. A viagem começa. O destino era algum sítio nos arredores de Itapecerica da Serra, mas não tinhamos mapa, dados ou qualquer coisa semelhante. A idéia era usar a mente já desgastada com altos volumes de vodka para lembrar o caminho “na raça”, e perto de onde isso nos levasse perguntar a alguém que tivesse os trejeitos de estar indo pra uma festa também. Obviamente, isso tinha tudo pra dar errado… e deu.

Nota: Quem já foi a uma festa, mesmo as privates, sabe que o trânsito faz parte da rotina. Chegar numa festa as 2hs da manhã não te garante estar livre disso, então o jeito é ir acostumando-se a enfrentar essa que, provavelmente, seria a última barreira antes da festa.

Na segunda estrada, o velho dilema: Esquerda ou Direita? Direita foi o caminho escolhido e eufóricos já combinavamos a primeira vodka dentro da festa. Porém, ao invés daquela galera bronzeada e boa pinta que costuma frequentar esse tipo de evento, o que se via eram pequenos grupos com roupas largas, ouvindo funk nos celulares e tomando vinho barato. Em todas as esquinas, postes, cestos de lixo e qualquer espaço que pudesse ser usado como ponto de encontro, havia um grupinho desses. Para quem não sabe, Itapecerica da Serra não é conhecida por ser um lugar onde a alta nata da sociedade paulistana vive. E isso começou a me incomodar.

20 minutos rodados e nem sinal da festa ou de pessoas com trejeitos de que iriam para lá. Numa lombada, encontramos um palio “tunado” com uma tela de DVD que parecia um mini-cinema, além de um chamativo neon vermelho embaixo do carro, remetendo a uma versão pobre de Velozes e Furiosos. Talvez fosse essa nossa chance de nos informarmos. Foi quando num movimento brusco, eu emparelhei com ele para perguntar, não sem antes apertar a buzina repetidamente. Como fui lembrar depois, estavamos em Itapecerica e o carro ao ver o meu emparelhando rapidamente, saiu numa disparada desesperada, como se fosse a única coisa que restasse a ele para fazer. Perdemos a chance de esclarecer onde estávamos e o que queríamos. Era hora de encontrar um posto de gasolina, o ponto de informações mais comum nesse tipo de caso.

casa de luxo em itapecerica
Típica casa de alto padrão em Itapecerica da Serra

No primeiro posto de gasolina, o alívio: Ao invés de pegar a direita, deveriamos tomar a esquerda e seguir alguns kms que em breve veriamos luzes e pessoas. Sem hesitar, comemoramos a pseudo-vitória e partimos em direção ao electro que rasgava a noite. Mas como devem imaginar, estávamos longe de chegar na festa. E o caminho mudou completamente quando em uma esquina com um posto desativado eu ouvi a ordem vinda do banco de trás: “Pode virar aqui a esquerda que é nessa rua!”. Um erro imenso.

Por sorte, havia um sítio que era usado para esse tipo de festa naquela famigerada rua a esquerda. Por azar, não era naquele sítio que a festa estava acontecendo e encontramos um portão fechado, nenhuma movimentação de eufóricos fritos e nem sequer um barulho quebrando o silêncio da noite. Estavamos de novo no zero a zero, sem nenhuma idéia do que fazer aquela altura.

Trânsito na rave
Trânsito na porta da festa: Se não tiver, você não está perto dela!

Foi num momento de extrema sorte que cruzamos com o único carro que passou até o momento naquela rua. Nossa sorte estava a ponto de mudar, afinal? Nesse momento, já faziam cerca de 1h40m que estávamos rodando e nada. Emparelhamos com o carro amigo e por sorte tivemos o positivo, ele parou e baixou o vidro. Falei que estavamos rodando ali e que não havia sinal da festa e ele disse que o negócio tinha sido transferido pra um sítio 2km a frente. Obviamente, qualquer pessoa normal voltaria até a pista, andaria dois km e encontraria a placa da Emotion na estrada, indicando o caminho a ser seguido. Porém, na nossa mini-euforia, seguimos 2 km na MESMA rua que estavamos. E foi ai que quase desisti de vez da private.

A estrada de terra e lama parecia não ter fim. Não mais que de repente, surge um desvio (perceba que estavamos andando a 20 minutos por uma estrada de terra e ela tinha um desvio!!!!!!), nos levando a uma estrada de asfalto de novo. Obviamente, pra mim aquilo era bem estranho e provavelmente estavamos no caminho errado. Mas segui adiante para a grande surpresa da noite.

Força Tática
Força Tática: Para servir, reprimir e proteger!

O caminho era bem pouco iluminado, as casas da vizinhança não inspiravam confiança, era um lugar feio e um clima estranho pairava no ar. Ao subir um trecho da rua, fomos surpreendidos por um campo de terra com pouquíssima iluminação e cerca de 6 viaturas da força tática fazendo uma manobra, parando uma viatura ao lado da outra. A julgar pelo lugar que estávamos e aquilo que conseguiamos ver, ia rolar um evento que certamente não deveriamos ficar ali pra ver. Numa manobra defensiva, virei o carro 180º e consegui retornar pela mesma estrada de terra que nos conduziu até ali. Obviamente, não sem antes chamar a atenção dos amigos policiais, que prontamente enviaram uma viatura para nos acompanhar por algum tempo. Por sorte, não passou disso e voltamos em segurança, sem sermos confundidos com criminosos de alta periculosidade.

Nesse momento, quase 2hs depois do início de nossa aventura, eu já estava pronto para desistir e tentar achar o caminho de volta pra Sampa. E foi exatamente ai que não fomos abandonados e a sorte começou a brilhar finalmente para nossa pequena equipe de festeiros. 2 carros vinham na direção que seguimos por horas e ao cruzar com eles, paramos para perguntar se eles sabiam da festa. Eles estavam procurando e a gente falou que com certeza não era naquela direção. Após uma chamada no nextel de um amigo deles, descobriram que era perto, mas tinhamos que retornar a estrada mesmo.

A partir desse momento, tudo passou a dar certo. Até detalhes menores, como a rádio que começou a tocar uma sessão quentíssima de psytrance naquela hora, davam a impressão que passávamos do purgatório e iamos em direção ao paraiso. O relato da festa é sigiloso, como manda a regra. Apenas posso dizer que valeu a pena as 2hs perdido em algum canto obscuro dos arredores de Sampa, com direito a vodka, sol e excelente música.

O lado legal disso tudo é saber que todo mundo tem uma história parecida com essa, talvez envolvendo menos aventura e menos tempo de deslocamento. A parte chata é saber que certamente essa não será a última vez que algo assim vai acontecer.

Mas vamo que vamo!

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Postagem feita no dia 2 de setembro de 2009 às 14:53 e arquivada na(s) categoria(s) Divagação. Você pode acompanhar os comentários usando RSS 2.0 .
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4 Comentários ;) para “A última rave a gente nunca esquece”

  1. Lucas Lima on setembro 2nd, 2009 at 18:56

    RT: @justplay: http://bit.ly/I0gvA A última rave a gente não esquece, relato sobre a festa do último sábado

  2. akah on setembro 3rd, 2009 at 11:35

    “uma radio coemçou a tocar uam sessao quentissima de psytrance”
    de dia ou de noite? se fosse 2 da madruga, FATO: Blast 97 fm

    foi pra festa e nem me chamou, quando eu chamo vc nãaaao vai

    haha

    mas estas festas q a gnt quase desiste de ir sao as melhores no final… FATO

    aventuras?
    huuum..já nos perdemos
    já bateram carro
    já paramos numa rua sem saída no meio do mato???
    que mais?
    a maior de todas, claro:

    Eu já FUGI DE CASA pra ir à festa

    g-zuis O.o
    eu nao sei oq é “pior”
    a expectativa da ida,
    a festa com a galera
    a tristeza do dj desligar o som
    a volta com a galera ainda brisada
    OUUUU

    a programação para a proxima

    hahhahaha

    bjO

  3. Bobolinks #11 | Bobolhando - Bobo lê tudo o que vê! on setembro 7th, 2009 at 22:42

    […] A ultima Rave a gente nunca esquece; […]

  4. Rafael R on setembro 8th, 2009 at 0:58

    @Bobolhando http://bit.ly/oM2Ut

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