Archive for junho, 2012

A arte da guerra, agora nos feltros nos jogos de poker

Posted on junho 22nd, 2012 by Rafael R

Sun Tzu e seu tratado sobre guerras é até hoje uma das leituras mais recomendadas para quem precisa entender melhor os conceitos de estratégia – em grego strateegia, em latim strategi, em francês stratégie. E se estamos falando de poker profissional aqui, temos que ter certeza de que nos feltros alguns desses conceitos podem e devem ser aplicados com maestria para a nooooossa alegria.

Talvez você já tenha lido e nesse caso seria legal reler, usando a ótica do poker nos ensinamentos. E se você não leu, fica aqui o convite: Leia transformando as situações propostas num torneio de poker. Com a exceção de 2 capítulos, todos os demais podem ser adequados e você conseguirá entender todos conceitos. E se você aplicá-los nas mesas durante os torneios que você enfrenta, verá que você estará em vantagem muitas vezes contra seus adversários.

Um exemplo é pensar na seguinte passagem do livro:

“(…) IV – O quarto perigo é a excessiva suscetibilidade. Um general não deve se ofender de forma intempestiva e despropositada. Por querer reparar a honra apenas levemente ofendida, corre o risco de perdê-la irremediavelmente. Deve dissimular. Não deve se desencorajar depois de alguns fracassos, nem acreditar que tudo está perdido porque cometeu algum erro ou sofreu algum revés (…)”

Aplicando diretamente no poker, pense em duas hipóteses: Você perdeu uma mão boa que disputou pois o cara jogou com duas cartas que você não acreditava que ele jogaria. Acontece, não raramente, e você fica tiltado todas as vezes. Reconhece a situação? Ou então, em outra hipótese, o seu adversário ganha uma mão de forma impecável e acaba soltando uma falinha no final. Acontece sempre, as vezes nos irritamos e o tilt aparece. E dissimular no poker é apenas algo tão rotineiro que nem merecia o destaque. Apenas por essa passagem, eu já diria que o livro é mais do que uma leitura imperdível, eu diria que é um manual de como você deve agir durante um torneio.

Alguns pontos ficaram bastante claros pra mim, depois da leitura do livro. Quando você possui estratégia para jogar poker, você pode e vai conseguir se colocar entre os melhores deste jogo. Entre tudo o que eu tirei do livro, destaco algumas coisas:

1. Não tente adivinhar as coisas: Aquela história de “acho que ele tem X, vou fazer Y” não existe. Não dá pra achar ou imaginar as coisas durante um jogo. Se você não tiver informações suficientes que te orientem a entender os movimentos do seu adversário, espere uma oportunidade onde tenha melhores informações. Nem sempre vale a pena pagar por um “achismo”.

2. Agir somente com uma visão clara da situação: Tem horas que é bom imprimir um ritmo mais forte e agressivo na mesa, mas você precisa antes de tudo saber o que está fazendo. Se você o fizer para se beneficiar de uma vantagem que possua – como um stack maior, por exemplo – faz sentido. O que não fará sentido é agir sem saber porque está agindo. Já vi perguntas do tipo “Mas por que você deu aquele call?” serem respondidas com “Não sei, achei que ia ganhar” e veja bem, é o seu dinheiro que está em jogo.

3. Não perca o controle da situação: Numa mesa de poker, você tem que levar em consideração alguns fatores. O tilt que você se encontra é válido? Não. Novamente, é o seu dinheiro que está em jogo, então calma, cara! Demora um tempo pra aprender a controlar o tilt, mas saiba que vale muito mais a pena desligar o botão “foda-se” que está apitando sem parar a cada mão que você joga irritado do que tentar “voltar pro jogo”, ganhando um pote que te levará a esse resultado mas que não será sempre vencido por você.

Estratégia, meus amigos. Essa é a palavra do poker de hoje em dia. A competitividade é grande, você precisa traçar a sua estratégia se quiser ficar com a sua fatia do bolo nessa premiação. E você, consegue me dizer qual é a sua estratégia hoje?

Lições do meu pai #1 – Como ser um chefe de verdade

Posted on junho 6th, 2012 by Rafael R

Para ler ouvindo: Trentemoller -Tide

Hoje fiz a primeira piada envolvendo a morte do meu pai, acho que eu to finalmente me acostumando com essa ideia. De qualquer forma, fazem alguns meses que tenho pensado em tudo o que eu aprendi com ele já. E se essa série de posts for pra frente, vou tentar dividir algumas delas com vocês.

Por alguns anos, fui “sócio” do meu pai numa empresa. E trabalhamos juntos em 3 oportunidades distintas. Infelizmente a última delas não teve um complemento mas ao menos conseguimos deixar tudo mais ou menos em ordem para a hora que ele falou. Sei que nessas oportunidades aprendi muitas coisas e creio que a mais importante delas tenha sido como liderar pessoas. Explicarei a seguir.

Na primeira oportunidade que trabalhamos juntos eramos ele, eu, uma mesa de escritório e um fax, dentro de um galpão pequeno perto da minha casa. Eu ainda não sabia como, mas já tinha certeza que aquilo seria passageiro e em breve estaríamos num lugar mais confortável e com mais recursos, o que de fato aconteceu. Em menos de 6 meses mudamos para um galpão 10 vezes maior e já precisávamos de funcionários esporádicos para nos ajudar nas diversas tarefas que surgiam.

Curioso foi a forma como meu pai contratou o ajudante geral. Certa vez, estava com ele na porta do galpão e passou um desses sujeitos que vivem na rua em busca de oportunidades. Eu não teria pensado duas vezes em ignorar completamente a situação do rapaz, mas meu pai parou pra bater um papo com ele. Vida sofrida, problemas de saúde e um possível vício em álcool e eu já tinha como certo que o cara deveria ir embora. Meu pai, com toda sua sapiência, perguntou que tipo de trabalhos ele sabia fazer. Com toda a simplicidade de alguém que precisa muito de qualquer trabalho para viver, ele respondeu prontamente um “Dotô, eu fasso o que o senhô precisá!” (<~ Ai Just, que desnecessário! kkkk). Enfim, no dia seguinte estava lá nosso ajudante geral, pronto pra ajudar no que precisássemos. Eu ainda não tinha entendido a contratação, mas não questionei nada e ele limpou o galpão, ajeitou as peças de uma máquina, perguntou tudo o que poderia sobre o funcionamento delas pro meu pai e foi pra casa no final da tarde. No dia seguinte, mais perguntas e mais esforço. Eu já estava convencido de que meu pré-julgamento tinha sido babaca e que ele merecia mesmo essa chance. E foi então, meus amigos, que eu ouvi o que eu precisava ouvir. Meu pai sempre foi aquele cara que senta com você, começa a falar e você saia como se tivesse ido a uma palestra. Sempre tinha algo foda para guardar quando a gente sentava pra uma dessas. E então ele começou a falar sobre como identificar os pontos de seus funcionários para ter certeza de como exatamente cada um deles poderia te ajudar. Pra mim era um cara com roupas meio sujas perambulando pelas ruas da firma e pra ele era alguém que conseguiria se esforçar caso fosse preciso. Nesse ponto o feeling dele era fantástico. Aprendi com ele que não importa como as pessoas chegam na sua empresa, importa o que elas farão por você. Aprendi que não importa a falta de conhecimento prévio para a realização de algumas tarefas, pois algumas pessoas aprenderão rápido com tudo o que você disser e irão atrás de aprender tudo o que for importante para poder te ajudar de forma melhor. Aprendi que se o seu funcionário está infeliz ou não está rendendo o esperado a culpa provavelmente é sua, que não está orientando e dando a atenção necessária para aquela pessoa - ou, talvez, alguém que esteja responsável pela estada dela. Aprendi que a felicidade do seu funcionário é o mais importante para que a sua empresa seja lucrativa. E aprendi que não adianta julgar as pessoas, elas estarão por aí te surpreendendo, mais cedo ou mais tarde. Hoje eu sei que se alguém está com dificuldade na realização de alguma tarefa é porque talvez não seja a pessoa certa para fazê-lo. Hoje eu consigo identificar quem é capaz de fazer alguma tarefa específica, quando preciso escolher alguém pra isso. E mais importante, hoje eu sei que o chefe é aquele que precisa necessariamente dar o exemplo, sendo o primeiro a chegar e o último a sair. Uma empresa só dará certo se as pessoas estiverem em suas posições, principalmente o chefe. Obrigado, pai. Sei que isso vai me ajudar por muito tempo ainda e sem você eu não descobriria de uma forma tão emblemática quanto essa.