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A última rave a gente nunca esquece

Posted on setembro 2nd, 2009 by Rafael R

Tudo começou as 16hs do sábado.

Fazia calor, faltava cigarro. Uma saída para a rua resolveria um, talvez dois problemas. Como a preguiça era gigante, o carro saiu da garagem para ajudar a cumprir a missão. No caminho, uma passada rápida na rua de baixo para ver quem já estava marcando plantão com a cia de alguma cerveja estupidamente gelada. E foi lá exatamente que recebi o convite – “Bora pra festa hoje, vai ser coisa boa!” – aceito de imediato. Não sem antes um cochilo, já que a maratona seria exaustiva. Um retorno pra casa e cama.

Já na rua novamente, todos se posicionam em seus lugares no carro. A viagem começa. O destino era algum sítio nos arredores de Itapecerica da Serra, mas não tinhamos mapa, dados ou qualquer coisa semelhante. A idéia era usar a mente já desgastada com altos volumes de vodka para lembrar o caminho “na raça”, e perto de onde isso nos levasse perguntar a alguém que tivesse os trejeitos de estar indo pra uma festa também. Obviamente, isso tinha tudo pra dar errado… e deu.

Nota: Quem já foi a uma festa, mesmo as privates, sabe que o trânsito faz parte da rotina. Chegar numa festa as 2hs da manhã não te garante estar livre disso, então o jeito é ir acostumando-se a enfrentar essa que, provavelmente, seria a última barreira antes da festa.

Na segunda estrada, o velho dilema: Esquerda ou Direita? Direita foi o caminho escolhido e eufóricos já combinavamos a primeira vodka dentro da festa. Porém, ao invés daquela galera bronzeada e boa pinta que costuma frequentar esse tipo de evento, o que se via eram pequenos grupos com roupas largas, ouvindo funk nos celulares e tomando vinho barato. Em todas as esquinas, postes, cestos de lixo e qualquer espaço que pudesse ser usado como ponto de encontro, havia um grupinho desses. Para quem não sabe, Itapecerica da Serra não é conhecida por ser um lugar onde a alta nata da sociedade paulistana vive. E isso começou a me incomodar.

20 minutos rodados e nem sinal da festa ou de pessoas com trejeitos de que iriam para lá. Numa lombada, encontramos um palio “tunado” com uma tela de DVD que parecia um mini-cinema, além de um chamativo neon vermelho embaixo do carro, remetendo a uma versão pobre de Velozes e Furiosos. Talvez fosse essa nossa chance de nos informarmos. Foi quando num movimento brusco, eu emparelhei com ele para perguntar, não sem antes apertar a buzina repetidamente. Como fui lembrar depois, estavamos em Itapecerica e o carro ao ver o meu emparelhando rapidamente, saiu numa disparada desesperada, como se fosse a única coisa que restasse a ele para fazer. Perdemos a chance de esclarecer onde estávamos e o que queríamos. Era hora de encontrar um posto de gasolina, o ponto de informações mais comum nesse tipo de caso.

casa de luxo em itapecerica
Típica casa de alto padrão em Itapecerica da Serra

No primeiro posto de gasolina, o alívio: Ao invés de pegar a direita, deveriamos tomar a esquerda e seguir alguns kms que em breve veriamos luzes e pessoas. Sem hesitar, comemoramos a pseudo-vitória e partimos em direção ao electro que rasgava a noite. Mas como devem imaginar, estávamos longe de chegar na festa. E o caminho mudou completamente quando em uma esquina com um posto desativado eu ouvi a ordem vinda do banco de trás: “Pode virar aqui a esquerda que é nessa rua!”. Um erro imenso.

Por sorte, havia um sítio que era usado para esse tipo de festa naquela famigerada rua a esquerda. Por azar, não era naquele sítio que a festa estava acontecendo e encontramos um portão fechado, nenhuma movimentação de eufóricos fritos e nem sequer um barulho quebrando o silêncio da noite. Estavamos de novo no zero a zero, sem nenhuma idéia do que fazer aquela altura.

Trânsito na rave
Trânsito na porta da festa: Se não tiver, você não está perto dela!

Foi num momento de extrema sorte que cruzamos com o único carro que passou até o momento naquela rua. Nossa sorte estava a ponto de mudar, afinal? Nesse momento, já faziam cerca de 1h40m que estávamos rodando e nada. Emparelhamos com o carro amigo e por sorte tivemos o positivo, ele parou e baixou o vidro. Falei que estavamos rodando ali e que não havia sinal da festa e ele disse que o negócio tinha sido transferido pra um sítio 2km a frente. Obviamente, qualquer pessoa normal voltaria até a pista, andaria dois km e encontraria a placa da Emotion na estrada, indicando o caminho a ser seguido. Porém, na nossa mini-euforia, seguimos 2 km na MESMA rua que estavamos. E foi ai que quase desisti de vez da private.

A estrada de terra e lama parecia não ter fim. Não mais que de repente, surge um desvio (perceba que estavamos andando a 20 minutos por uma estrada de terra e ela tinha um desvio!!!!!!), nos levando a uma estrada de asfalto de novo. Obviamente, pra mim aquilo era bem estranho e provavelmente estavamos no caminho errado. Mas segui adiante para a grande surpresa da noite.

Força Tática
Força Tática: Para servir, reprimir e proteger!

O caminho era bem pouco iluminado, as casas da vizinhança não inspiravam confiança, era um lugar feio e um clima estranho pairava no ar. Ao subir um trecho da rua, fomos surpreendidos por um campo de terra com pouquíssima iluminação e cerca de 6 viaturas da força tática fazendo uma manobra, parando uma viatura ao lado da outra. A julgar pelo lugar que estávamos e aquilo que conseguiamos ver, ia rolar um evento que certamente não deveriamos ficar ali pra ver. Numa manobra defensiva, virei o carro 180º e consegui retornar pela mesma estrada de terra que nos conduziu até ali. Obviamente, não sem antes chamar a atenção dos amigos policiais, que prontamente enviaram uma viatura para nos acompanhar por algum tempo. Por sorte, não passou disso e voltamos em segurança, sem sermos confundidos com criminosos de alta periculosidade.

Nesse momento, quase 2hs depois do início de nossa aventura, eu já estava pronto para desistir e tentar achar o caminho de volta pra Sampa. E foi exatamente ai que não fomos abandonados e a sorte começou a brilhar finalmente para nossa pequena equipe de festeiros. 2 carros vinham na direção que seguimos por horas e ao cruzar com eles, paramos para perguntar se eles sabiam da festa. Eles estavam procurando e a gente falou que com certeza não era naquela direção. Após uma chamada no nextel de um amigo deles, descobriram que era perto, mas tinhamos que retornar a estrada mesmo.

A partir desse momento, tudo passou a dar certo. Até detalhes menores, como a rádio que começou a tocar uma sessão quentíssima de psytrance naquela hora, davam a impressão que passávamos do purgatório e iamos em direção ao paraiso. O relato da festa é sigiloso, como manda a regra. Apenas posso dizer que valeu a pena as 2hs perdido em algum canto obscuro dos arredores de Sampa, com direito a vodka, sol e excelente música.

O lado legal disso tudo é saber que todo mundo tem uma história parecida com essa, talvez envolvendo menos aventura e menos tempo de deslocamento. A parte chata é saber que certamente essa não será a última vez que algo assim vai acontecer.

Mas vamo que vamo!

corinthians centenário

corinthians centenário

corinthians centenário

corinthians centenário

corinthians centenário

corinthians centenário

corinthians centenário

corinthians centenário

Democracia Corintiana, Série B, 4 vezes campeão brasileiro, 3 vezes campeão da copa do brasil, inúmeros títulos do campeonato paulista, campeão mundial de clubes da fifa… A torcida mais apaixonada do mundo! 99 anos de histórias, glórias, sofrimentos e uma mistura sem precedentes de sentimentos que movem pessoas do Brasil e de todo o mundo em prol desse grande clube. O centenário começou, e hoje eu tiro o chapéu mais uma vez para o Todo Poderoso.

Vai Corinthians, vai e não para de lutar! A corrente jamais será quebrada!