“Não há clareza (para a atual geração) do que foi o golpe e porque houve resistência a ele”. Para o diretor e militante Alipio Freire, a frase sintetiza o documentário “1964 – Um golpe contra o Brasil”, que será lançado neste sábado, no Memorial da Resistência de São Paulo, região da Luz, onde funcionava o antigo prédio do Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops). O primeiro longa do diretor – Freire já dirigiu curtas e médias metragens -, mescla fotos, vídeos e entrevistas com 22 protagonistas da história (entre eles o do ex-ministro do Trabalho de João Goulart, Almino Affonso, e Aldo Arantes, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) entre 1961 e 1962) sobre o que ocorreu entre a campanha de Jânio Quadros para presidente, em 1960, e a posse do marechal Castelo Branco, em 15 de abril de 1964. De acordo com o realizador, o gancho principal foram os 50 anos da instauração da ditadura no país, a serem completados em 31 de março do próximo ano.

“A ideia era recuperar a história do país no período pós (Segunda) guerra, especificamente na ocasião do golpe de 64, uma ideia antiga. Eu e um grupo de amigos fundamos uma ONG, o Núcleo de Preservação da Memória Política, para trabalhar essas questões. No ano passado, conversamos sobre os 50 anos do golpe, em 2014. No meio dessa discussão, tivemos a criação da Comissão da Verdade, novidades sobre crimes cometidos por agentes da ditadura. Desde a criação do núcleo somos chamados para realizar debates em universidades, centros culturais, grupos de jovens, organizações de trabalhadores e sindicatos. Percebemos que, para muitos, principalmente os mais jovens, não há uma clareza do que foi o golpe e porque se resistiu a ele. Daí a ideia de se fazer o documentário.”

Como foi a captação de recursos e a pesquisa para o documentário?

“Foi através de uma emenda parlamentar do deputado Adriano Diogo (PT), com verba da Secretaria de Estado da Cultura, de R$ 80 mil. Completamos o resto dos custos, de R$ 10 mil, com verba do núcleo. Partimos de uma série de leituras, pesquisas, imagens de arquivos. E decidimos entrevistar pessoas que participaram daquele momento político, que foram militantes políticos. Utilizamos imagens e fotos do Arquivo do Estado de São Paulo, da Unicamp, da PUC, Unesp, da pastoral Vergueiro, Arquivo Nacional, entre outros. O documentário, com produção da TVT, tem, além das 22 entrevistas, uma séria de fotos e filmes sonoros.”

Via O Globo

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Postagem feita no dia 8 de maio de 2013 às 13:00 e arquivada na(s) categoria(s) Cenas Urbanas. Você pode acompanhar os comentários usando RSS 2.0 .
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